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Endometriose: Orientações importantes

Endometriose: Orientações importantes
imagem sintomas endometriose

Sintomas indicativos

Existem alguns sintomas que indicam a possível presença da endometriose, a saber:

  • Cólica dentro do período menstrual, denominada Dismenorréia;
  • Dor durante relações sexuais – denaminada Dispareunia de profundidade;
  • Dores dissociadas do período menstrual, não cíclicas, na região da pelve;
  • Sintomas comuns do período menstrual: diarréia, intestino preso, cólicas e outros;
  • Aumento da vontade de urinar, dor ao urinar e possível sangramento;
  • Infertilidade.

É essencial compreender que nem toda mulher que apresenta os sintomas acima tem a endometriose. Os sintomas podem dar indícios da endometriose, ou até mesmo não ter qualquer vínculo. Contudo, se os sintomas acima forem intensos, as mulheres precisam passar por exames ginecológicos e uma investigação a fim de ter um diagnóstico preciso e direcionamento para o tratamento adequado, quando necessário.

As mulheres com endometriose podem não ter dificuldade de engravidar. Ainda assim sabe-se que, estatisticamente, há uma queda no índice de fertilidade entre as mulheres acometidas pela endometriose. De qualquer forma, existem outras causas possíveis para a infertilidade e, certamente, muitos tratamentos específicos.

Suspeito de endometriose, o que fazer?

Há uma gama de exames que podem identificar alterações dentro do organismo, indicando mudanças que podem aumentar os indícios da presença da endometriose. A dosagem de CA-125, o mapeamento de endometriose e a ressonância magnética da pelve são apenas alguns dos exames que podem ser solicitados pelo seu Ginecologista a fim de aumentar a compreensão sobre o que podem ser os sintomas.  Entretanto, mesmo com resultados negativos nos exames, a persistência dos sintomas característicos, ainda pode sugerir a presença da doença.

De que forma a endometriose se apresenta?

A endometriose pode se apresentar de formas associadas ou não, seja:

Adenomiose

A adenomiose é a presença de tecido endometrial no interior do músculo uterino, o miométrio. Neste caso, é a endometriose que afeta o útero. Dependendo de quanto o útero está afetado, isso pode revelar-se no aumento do resultado do CA-125 e mostrar-se nos exames de imagem de forma bastante clara.

Endometrioma ovariano

Neste caso é a endometriose afetando os ovários, originando cistos de ovário, cuja característica principal é o conteúdo achocolatado típico. Dependendo do tamanho do endometrioma, fica bastante evidente nos exames de imagem e gera a elevação do nível de CA-125.

Endometriose superficial

Esse tipo é caracterizado pelos implantes superficiais da doença na região da pelve ou em regiões do abdome. As lesões podem se disseminar, mas não conseguem atingir uma profundidade suficiente para alterar exames de imagem. Desse modo, só se pode diagnosticar esse tipo de endometriose por meio da laparoscopia.

Endometriose profunda

Ao contrário do primeiro tipo, essa endometriose traz implantes profundos que infiltram o peritônio e os órgãos da região. O peritônio é uma camada que reveste o abdome e a pelve. O tratamento dessa endometriose é complexo e requer avaliação pré-operatória. Os implantes profundos podem ser visualizados facilmente com exames de imagem e ocasionalmente elevam o CA-125.

Endometriose e os exames de imagem

Existem profissionais que se especializam no diagnóstico da endometriose por meio da imagem, sem a utilização de um mapeamento de endometriose ou ressonância magnética. O mais importante neste caso é solicitar a indicação de um bom profissional para realizar o exames das imagens. Algumas mulheres realizam os exames de imagem e não conseguem chegar a resultados que evidenciem a presença da endometriose.

Os sintomas continuam e, ao realizar o chamado “mapeamento de encometriose” uma ultrassonografia transvaginal com rastreamento, avaliação da parede abdominal e vias urinárias, feitos por um profissional bem preparado, descobrem as alterações. Isso acontece com várias mulheres que portam a endometriose profunda.

A doença progride lentamente, portanto, tenha um bom médico que venha solicitar a realização dos exames  com a indicação de um radiologista experiente.

Tratamento da endometriose

Existem vários modos de tratar a endometriose: por meio de medicamentos ou através de procedimento cirúrgico, quando necessário. O tratamento com medicamentos controla os sintomas e objetiva refrear o progresso da doença, ainda que seja pouco provável controlar a progressão. Ainda que haja um tratamento da endometriose, é essencial assegurar exames de imagem de seis em seis meses ou de ano em ano, conforme as proporções da lesão.

Por outro lado, a cirurgia remove as lesões causadas pela endometriose e o tratamento é complementado com o tratamento por medicamentos no período pós-cirúrgico. Há exceções em que a paciente deseja engravidar imediatamente após a recuperação da cirurgia, ao que se opta pela não prescrição de medicação após a cirurgia.

No momento de seleção de um tratamento, as mulheres são divididas em dois grupos: as que querem engravidar e as que estão com sintomas agudos. Ao usar medicamentos, não há eficiência em relação à melhora da fertilidade, somente nas dores e demais sintomas. Para mulheres que estão tratando a endometriose e querem engravidar, o procedimento cirúrgico é o mais recomendado.

Laparoscopia Diagnóstica

A laparoscopia é uma forma de realizar a cirurgia. Ela é feita através do abdome com pequenas incisões nas quais são inseridos instrumentos cirúrgicos. Há muitos anos atrás, o procedimento tinha somente o fim investigativo para diagnósticos. Entretanto, o avanço dos equipamentos e da medicina permitiu que a maior parte das cirurgias sejam feitas por meio da laparoscopia. Desse modo a endometriose pode ser tanto diagnosticada pela laparoscopia quanto tratada. Diferentemente de tempos anteriores, atualmente há profissionais muito bem preparados e hábeis que podem executar procedimentos como da endometriose superficial e outros muito mais complexos como acometimentos da endometriose profunda.

O profissional que diagnostica através de uma laparoscopia pode ser hábil e preparado para tratar uma endometriose superficial, mas não a profunda. Por outro lado, especialistas que tratam a forma profunda, facilmente lidam com a laparoscopia diagnóstica.

A laparoscopia é, aparentemente, um procedimento simples. No entanto, pode ser simples em alguns casos e complexo em outros em que se trate, por exemplo, da endometriose profunda. Desse modo é essencial diferenciar os dois antes de realizar a operação.

Por que a cirurgia pode tornar-se complexa?

Dependendo do tipo de lesão da endometriose, a complexidade da cirurgia pode ser maior ou menor. Mulheres com sintomas bastante claros da endometriose, em cujos exames não houve evidências, geralmente portam a forma superficial que pode ser tratada de forma relativamente descomplicada. As mulheres cujos exames evidenciaram uma endometriose profunda necessitarão de cirurgia e tratamento mais complexos.

A endometriose profunda pode afetar os ligamentos uterinos, a vagina, o ureter, intestino e a bexiga. Assim, dependendo da localização da doença, existem algumas particularidades e riscos em potencial inerentes à própria cirurgia e também pós-operatórios. Procure conversar e sanar todas as dúvidas com seu médico na consulta pré-operatória. Cada detalhe precisará de toda a atenção.

Pontos fundamentais para portadoras da endometriose

Alguns pontos são importantes tanto para casos em que haja suspeita como para aqueles em que já exista um diagnóstico da endometriose.

  • Escolher criteriosamente o profissional que fará o tratamento;
  • Escolher minuciosamente o radiologista para fazer o mapeamento das lesões pela doença (mais importa a experiência e preparo do profissional do que, necessariamente os exames em si);
  • Diferenciar as formas de endometriose no pré-operatório e entender muito bem qual o grau de complexidade, caso a caso;
  • Planejar a cirurgia adequadamente;
  • Adequar o tratamento de acordo com as necessidades da paciente, contando com todas as variáveis e analisar cada caso individualmente. Pode ocorrer do caso não demandar intervenção cirúrgica e, por outro lado, pode haver obrigatoriedade de cirurgia;
  • Esclarecer todas as dúvidas com o médico antes de optar pelo tratamento.

Fonte: Dr. William Kondo